Cidade registra 22 suicídios
Em um momento de confusão, sem visualizar uma saída, as pessoas acabam desistindo de viver. Assim, muitos dos pesquisadores e integrantes de centros de ajuda veem a questão do suicídio. Botucatu tem números preocupantes. Somente em 2009 aconteceram 22 casos. A maioria foi por enforcamento. A quantidade chama tanto a atenção das autoridades quando se compara com as médias de anos anteriores. Segundo o professor adjunto do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, José Manoel Bertolote, a média era de quatro casos por ano. Ele salienta que, para reduzir os suicídios foram realizadas palestras para profissionais de saúde de toda a rede básica de Botucatu.
Ele salienta que o suicídio não acontece de uma hora para outra. “Existem dois aspectos a considerar. Um deles é qual a causa remota do suicídio e a precipitante. O que mais a população enxerga e mesmo a imprensa é o precipitante. Então o indivíduo perdeu o emprego, ou tinha dívidas, ou rompeu o relacionamento amoroso e se suicidou. Mas, essa é aquela famosa gota de água que fez o copo transbordar. O suicídio é um processo relativamente longo. A pessoa elabora um sofrimento ao longo de semanas ou meses e chega um momento em que ela não aguenta mais”.
Ele diz que o suicídio pode ser prevenido porque a vítima dá sinais. “Em um dos casos de Botucatu, a pessoa colocou um contador negativo em seu blog. Todos os amigos sabiam que faltavam 14, 13 e 12 dias, mas ninguém aparentemente fez nada”, cita. (Cristiano Alves, Reportagem Diário da Serra)
Telefone de apoio atende diariamente
Botucatu deu um passo importante para prevenir o suicídio. O Posto Samaritano do CVV (Centro de Valorização da Vida) de Botucatu funciona há duas semanas prestando apoio a quem sente necessidade de ser ouvido. O local funciona diariamente, das 19 às 23h, inclusive aos sábados e domingos, garantindo o sigilo às pessoas. O telefone é 3354-4111. “A procura é grande. Temos agora que fixar nosso número na mídia. A pessoa busca essa estrutura em torno dela, e volta a valorizar a sua vida, que é o maior bem que ela tem”, cita Jorge Kaimoti Pinto, presidente da mantenedora do posto CVV.
O professor adjunto do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, José Manoel Bertolote, informa que a Secretaria Municipal da Saúde está investigando os casos de suicídio. Os tipos mais comuns são de pessoas que passaram por tratamento psiquiátrico, tinham em sua base uma depressão ou dependência de álcool. “A questão do suicídio tem fatores genéticos, pois ele acontece em algumas famílias, seja pela genética ou pelos exemplos que as pessoas têm. Já os problemas sociais que facilitam o suicídio é a falta de uma rede social de apoio. As pessoas que suicidam, normalmente, se sentem muito isoladas. Veja o exemplo da pessoa que colocou o anúncio em seu blog e ninguém fez nada. Nas estatísticas de Botucatu há muito mais homens que se suicidam. Uma das questões mais estudadas do porquê mulher se suicida menos, diz respeito justamente aos seus vínculos sociais. Os filhos são o vínculo social que mantém essas pessoas ligadas à vida”, comenta. (Cristiano Alves)


